felipe lima

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Na hora do almoço

No centro da sala, diante da mesa
No fundo do prato, comida e tristeza
A gente se olha, se toca e se cala
E se desentende no instante em que fala
Medo, medo, medo

Cada um guarda mais o seu segredo
Sua mão fechada, sua boca aberta
Seu peito deserto, sua mão parada
Lacrada e selada e molhada de medo
Medo, medo, medo

Pai na cabeceira: é hora do almoço
Minha mãe me chama: é hora do almoço
Minha irmã mais nova, negra cabeleira
Minha vó reclama: é hora do almoço, moço, moço, moço

E eu ainda sou bem bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de coisas, cuidemos da vida
Se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a vida
Ou coisa parecida, ou coisa parecida
Ou coisa aparecida

(Antonio Carlos Belchior)

Minha querida Clementina

Havia, antigamente, esse cântico: “Oh, querida, oh querida, oh querida Clementina”. Parece até que o Pica-Pau já o gravou em um de seus desenhos. Tinha algo a ver com cantar sobre um cavalo, despreocupada e apaixonadamente, com uma viola na mão. Nunca soube o exato significado, menos ainda quem era a tal Clementina (do inglês Clementine), que, aqui para nós, acabou restando só a grande Clementina de Jesus.

Pois, eis que agora me vejo diante de mais um clássico de John Ford, sempre com seu Monument Valley ao fundo, cujo título é esse, senão outro, “Dear Clementine” (1946) — e a música de abertura é exatamente essa. Continuo, claro, sem saber quem é a Clementina e por que, vem ano, vai ano, a turma entoa seu nome mundo a fora.

Pouco importa, sei que um Google rápido resolveria isso, mas o prazer, muitas vezes, é simplesmente não saber.

Copa do Mundo

A Copa do Mundo está quase chegando ao fim, mas acaba sempre ficando aquela pergunta: e aí, de que valeu tudo isso, de que adiantou torcer tanto para quem vai levar o caneco, ou até para quem achamos que deveria levantar esse caneco?

Essas dúvidas sempre ficam na nossa cabeça de um jeito sintomático. Ana Maria Machado, grande escritora, nos revela que foi aluna de Roland Barthes. Ora, que coisa maravilhosa, que figura formidável!
De minha parte permaneço sempre o mesmo, sem tirar nem por.

Um blog é feito de testes

Resolvi começar a escrever aqui para ter uma forma de publicar textos de forma despreocupada. Teoricamente é que o que eu já faço no Albatroz, mas quis fazer aqui para ver no que vai dar. A verdade, enfim, é que Não me falta lugar para publicação, mas sim dedicar tempo e energia na escrita de alguma coisa que valha ser lida.